Dry firing e sugestões

Dry firing e sugestões

Mensagempor raubvogel » 20/05/2017 07:44

Quantos aqui praticam à seco em casa, principalmente dry firing?

Sim, eu tenho aquele laser thingie e snap caps, mas antes de comprar eles eu improvisei, e acho que algumas coisas que fize podem ser uteis para outros.

snap caps.
Quando eu não tinha nenhuma, eu pegava os cartuchos usados, limpava eles deixando a espoleta gasta, e depois botava no cano e tirava um bando de vezes ate o cartucho deixar de estar tão expandido, de modo que ele cairia no cano ou pelo menos entrasse facilmente. Como a minha pistola tem cão, eu não tinha que me preocupar com ter que carregar a munição da magazine para a arma.

Se voce tem habilidades manuais -- eu não tenho muito -- e prensa, poderia fazer balas de madeira ou borracha ou plastico (ex: faz um molde e derrete corpo de caneta bic nele). Tira espoleta usada, bota a sua bala, e enche o espaço atras da bala de cola/silicone includindo o buraco da espoleta.

Laser.
Se voce está fazendo dry firing, um dos objetivos é controle do gatilho: praticar manter a arma na mesma posição durante o tiro. O seu laser não tem que necessariamente apontar onde o alvo esta. O que eu tinha na epoca era uma daquelas lanternas ridiculas de plastico com um LED que voce bota no chaveiro; ela era um brinde de alguma companhia que nem le lembro mais pois o logo tinha disaparecido. Eu achei uma canta plastica, esta peguei no meu banco, que era fina o suficiente para botar no cano. Um pouco de Scotch tape ao redor da caneta fez ela ficar firme dentro do cano. Um pouco mais de tape segurou a lanterna e o canudo que botei ao redor do LED para tentar limitar o diametro da luz.

Fechei as janelas o suficiente para ver a luz do LED na parede. E ai disparei a pistola e como a luz se mechia antes, durante, e depois do tiro.

É claro que voce pode usar um laser tipo para apontar para coisas na parede, mas eu só tinha a lanterninha. E ela era leve suficiente que não afetou como eu segurava a pistola.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Erick Tamberg » 08/06/2017 13:32

Raubvogel,

Já tentei fazer o dry firing com laser, mas a ideia não é muito boa. Olhar para o ponto no alvo desvia a atenção do controle do alinhamento alça-massa. O laser é bom para treinar e demonstrar o controle respiratório.

Experimente, quando ofegante após uma corrida ou subir uma escada, manter a arma apontada para o mesmo lugar com o laser. Compare o resultado com a respiração normal.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor raubvogel » 23/06/2017 00:09

Erick Tamberg escreveu:Já tentei fazer o dry firing com laser, mas a ideia não é muito boa. Olhar para o ponto no alvo desvia a atenção do controle do alinhamento alça-massa. O laser é bom para treinar e demonstrar o controle respiratório.


E controle de gatilho. E porisso que prefiro os lasers que so ligam quando voce dispara. Mas, se voce não tem um, voce pode ensinar-se a prestar atenção apenas no que voce está praticando, seja isso respiração como voce disse ou gatilho.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Morcegolino » 24/06/2017 15:41

E controle de gatilho. E porisso que prefiro os lasers que so ligam quando voce dispara. Mas, se voce não tem um, voce pode ensinar-se a prestar atenção apenas no que voce está praticando, seja isso respiração como voce disse ou gatilho.


Como é essa parada? Para que modalidade serve esse treinamento? Silhueta metálica? Pista de IPSC?

Eu sempre pratiquei tiro de defesa e desde que iniciei no clube me ensinaram que devemos treinar em condições as mais próximas possíveis do combate real. Então quando posso evito até o uso de abafadores pois preciso estar sempre familiarizado com os estampidos, até para saber se tem alguma coisa errada com a munição.

Como é esse negócio de ficar atirando com munição de manejo ou cartucho vazio, sem estampido e sem recuo?

Se for preciso trocar tiro com vagabundo, esse tipo de treinamento de mentirinha ajuda? :mrgreen:
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor moliternoga » 25/06/2017 20:16

Treinar sem abafador não acredito que seja uma boa idéia, as chances de danificar sua audição são grandes, ainda mais quem frequenta o stand regularmente. Entendo que treinar o mais próximo do Real é bom mas sem abafador, não conheço ninguém ou nenhum instrutor de tiro de combate sério que seja adepto disso. Quanto ao dry fire, acho importante sim, treinar saque e um tiro em seco, enquadramento e puxada do gatilho. Não é um treino que substitua o treino com munição real mas sim um prepara para o outro. Ainda mais no Brasil que a munição é cara, ajuda .muito o treino em seco.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Erick Tamberg » 26/06/2017 12:01

moliternoga escreveu:Treinar sem abafador não acredito que seja uma boa idéia, as chances de danificar sua audição são grandes, ainda mais quem frequenta o stand regularmente. Entendo que treinar o mais próximo do Real é bom mas sem abafador, não conheço ninguém ou nenhum instrutor de tiro de combate sério que seja adepto disso.


Treino sem abafador é absolutamente desnecessário. Ninguém se "acostuma" com estampidos. Simplesmente fica-se surdo.

Com adrenalina nas veias, os estampidos não parecerão tão incômodos assim.

Vale lembrar que, mesmo com abafadores, existe dano auditivo por condução óssea. O ruído chega ao nervo auditivo pela vibração dos ossos (condução óssea), além da condução aérea.

Notamos a condução óssea quando escutamos a reprodução da nossa própria voz gravada: temos a impressão de não reconhecermos a nossa própria voz. Isso ocorre porque enquanto falamos, a nossa voz chega aos nossos ouvidos pela condução aérea e óssea ao mesmo tempo. Ouvindo a nossa própria voz gravada, ela chega apenas por condução aérea. A diferença de frequência gerada pelas diferentes formas de condução faz com que não reconheçamos nossa própria voz gravada.

Beethoven, depois que ficou surdo, usou a condução óssea a seu favor: compunha segurando uma vareta de madeira entre os dentes, apoiada nas cordas do piano.

Abafador é essencial para evitar danos à audição. Mas isso não significa que, por usá-lo, que tais problemas não possam surgir. Eu mesmo só consigo usar o telefone no ouvido esquerdo, pois, como sou destro, o direito foi mais afetado pela condução óssea.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Morcegolino » 27/06/2017 11:44

Treinar sem abafador não acredito que seja uma boa idéia, as chances de danificar sua audição são grandes, ainda mais quem frequenta o stand regularmente. Entendo que treinar o mais próximo do Real é bom mas sem abafador, não conheço ninguém ou nenhum instrutor de tiro de combate sério que seja adepto disso.

Eu não preciso mais de instrutor. Ninguém aconselha a treinar sem óculos de proteção e abafador. Eu que não uso. Quase que tive de assinar um termo de responsabilidade no início, isentando o clube por qualquer acidente por que eles ficavam me perturbando para usar aquelas tralhas. Faço isso por minha conta e risco, não aconselho a fazer.

Treino sem abafador é absolutamente desnecessário. Ninguém se "acostuma" com estampidos. Simplesmente fica-se surdo.

O meu tipo de treinamento exige que eu utilize a audição de forma complementar à visão. Preciso ouvir as silhuetas se movendo. Um amigo puxa uma corda e determinada silhueta se move, não sei qual é, preciso ouvir ela se mexendo para efetuar o disparo.

Com adrenalina nas veias, os estampidos não parecerão tão incômodos assim.

Adrenalina? Isso é para amadores. Sabe por que muitas pessoas que no stand são bastante regulares nos agrupamentos acabam morrendo em um confronto de rua? Por que elas não ficam calmas o suficiente para neutralizarem o inimigo, elas se afobam e são alvejadas. No stand não tem adrenalina, os alvos e silhuetas não atiram de volta em você. :mrgreen:
Quem já está acostumado a matar - dizem - não tem esse lance de adrenalina para atrapalhar.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Erick Tamberg » 28/06/2017 11:52

Morcegolino escreveu:
Treinar sem abafador não acredito que seja uma boa idéia, as chances de danificar sua audição são grandes, ainda mais quem frequenta o stand regularmente. Entendo que treinar o mais próximo do Real é bom mas sem abafador, não conheço ninguém ou nenhum instrutor de tiro de combate sério que seja adepto disso.

Eu não preciso mais de instrutor. Ninguém aconselha a treinar sem óculos de proteção e abafador. Eu que não uso. Quase que tive de assinar um termo de responsabilidade no início, isentando o clube por qualquer acidente por que eles ficavam me perturbando para usar aquelas tralhas. Faço isso por minha conta e risco, não aconselho a fazer.

Ninguém, mesmo policiais experientes, pode dispensar um instrutor ou técnico. Senão, atletas olímpicos não precisariam de preparadores.

Treino sem abafador é absolutamente desnecessário. Ninguém se "acostuma" com estampidos. Simplesmente fica-se surdo.

O meu tipo de treinamento exige que eu utilize a audição de forma complementar à visão. Preciso ouvir as silhuetas se movendo. Um amigo puxa uma corda e determinada silhueta se move, não sei qual é, preciso ouvir ela se mexendo para efetuar o disparo.

Já pensou em utilizar abafadores eletrônicos, daqueles que permitem ouvir as conversas normalmente, mas atenuam o som dos estampidos? Senão, daqui a alguns anos, a tua audição estará tão comprometida que não valerá de nada para ajudá-lo a sobreviver.

Com adrenalina nas veias, os estampidos não parecerão tão incômodos assim.

Adrenalina? Isso é para amadores. Sabe por que muitas pessoas que no stand são bastante regulares nos agrupamentos acabam morrendo em um confronto de rua? Por que elas não ficam calmas o suficiente para neutralizarem o inimigo, elas se afobam e são alvejadas. No stand não tem adrenalina, os alvos e silhuetas não atiram de volta em você. :mrgreen:
Quem já está acostumado a matar - dizem - não tem esse lance de adrenalina para atrapalhar.


A adrenalina existe. Isso não tem nada a ver com amadorismo e nem com calma. Ela faz parte do instinto de sobrevivência. O que cabe aqui é trabalhar com técnicas que funcionem sob pressão.

Existem métodos de treinamento sob pressão - o que, naturalmente, não dá para fazer sem um instrutor. Ocorre que, muitas vezes, a pressão é colocada no momento errado do treinamento, antes que o aluno tenha sequer aprendido a atirar. Mas há instrutores (dos quais discordo totalmente) que gostam de acelerar o aluno logo no início, como forma de fazê-lo "pedir pra sair".

Quem se "acostuma a matar" é psicopata. Não existe treino para isso.
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Re: Dry firing e sugestões

Mensagempor Erick Tamberg » 01/11/2017 11:21

Exercício de disparo em seco retirado do manual FM 23-75 (U.S. Army):

Material necessário:

Lápis com borracha na parte traseira;
Folha de papel;
Fita adesiva;
Pistola ou revólver.

Procedimento:

Desenha-se, na folha, 10 "moscas" com 1/8" de diâmetro, em duas fileiras de cinco.
Para facilitar o serviço, fiz um furo com uma broca desse diâmetro em uma régua de aço, que costumo carregar na tralha de tiro para medir agrupamentos.

Faz-se, com a fita adesiva, duas "buchas" ao redor do lápis,de modo a ajustá-lo ao diâmetro interno do cano. O lápis é introduzido no cano da arma, de modo que o percussor golpeie a borracha.

Fixa-se o alvo na altura dos olhos,a cerca de 5 cm na boca da arma.

Caso a arma usada seja um revólver, retire o impulsor do tambor.

Faz-se a visada em cada "mosca",de modo que, quando do disparo,o lápis,impulsionado pelo percussor, faça uma marca na folha cerca de 3 cm abaixo do ponto visado. Faça 5 disparos por "mosca",sempre em ação simples.

O objetivo é que, para cada "mosca", as cinco marcas da ponta do lápis produzam um agrupamento igual ou menor do que ela própria (1/8", ou .125", ou 3,25mm), e sem variação de distância ou alinhamento em relação ao ponto visado.

Em 15 tentativas,meu agrupamento caiu de .175" para .140",mas ainda está maior do que a "mosca".
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