Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Erick Tamberg » 22/12/2017 09:35

Não sou da área médica ou biológica, mas hoje há uma linha que afirma que o ser humano tem sete sentidos, e não 5, como aprendemos na escola.

O sexto sentido é o equilíbrio (quem sofre de labirintite sabe a que me refiro).

O sétimo sentido é a capacidade que temos De saber a posição dos nossos membros sem olharmos para eles. E o que nos permite, por exemplo, bater palmas com as luzes apagadas em uma festa de aniversário. No tiro, chamamos apenas de "mão-acha-mão".

Isto é o que nos permite trocar os carregadores de uma pistola sem olharmos para a arma - e o que dá uma tremenda vantagem, por exemplo, para as submetralhadoras como a UZI em relação aquelas onde o alojamento do carregador não fica envolvido pela mão (MP-40, por exemplo).

O exercício deve ser conduzido em ambiente escuro (para auto-treinamento) ou com os instruendos de olhos vendados.

Nos revólveres, isso favorece a técnica de segurá-lo em volta do tambor com a mão fraca, enquanto se usa a mão forte para recarregar. Muitos são adeptos de manter o revólver na mão forte e usar a mão fraca para recarregar. Porém. por ela não usar o "mão-acha-mão", é mais difícil de ser executada SEM OLHAR PARA A ARMA.

O princípio do "mão-acha-mão" pode ser usado para treinar a recarga rápida de qualquer tipo de arma de fogo, incluindo as longas de repetição, sejam de corrediça ('pump"), ferrolho ou alavanca.

Nas "pump", seguro o cartucho com a mão fraca e faço-a encontrar a mão de tiro, que se mantém na posição. Daí é só posicioná-lo na janela de municiamento. Faço o oposto nas armas de ferrolho e alavanca: seguro-as com a mão fraca a frente do guarda-mato, enquanto a mão forte leva o cartucho ou "pente" a posição.
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor AmilcarAlho » 22/12/2017 10:02

Muito interessante este seu texto, como sempre nos tem habituado.

Considero muito importante saber remuniciar sem olhar para a arma, mas é preciso não sermos fundamentalistas. Em condições "normais" com luz, há uma corrente que considera benéfico olhar momentâneamente para a arma para acelerar o processo de remuniciamento, cobrindo o adversário apenas com a visão periférica. Pessoalmente concordo com esta corrente porque, quando disparamos, focamos a mira da frente e não o adversário, pelo menos na teoria, na prática existem muitos relatos do contrário. Espero que o meu texto faça algum sentido.

Abraço.
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Erick Tamberg » 22/12/2017 10:44

Amílcar,

Pessoalmente, sou da corrente "fundamentalista" nesse caso. Na prática, pode até acontecer a olhada rápida para a arma, mas procuro treinar ao máximo para não faze-lo.

Parte dos meus alunos eram empregados de empresas de transporte de valores, onde tinham que aprender a revidar a um ataque a partir do interior de um veículo blindado. Infelizmente, aqui está cada vez mais comum o uso de fuzis Barrett em .50 Browning (e mesmo de metralhadoras nesse calibre!) pelas quadrilhas especializadas nesse tipo de crime...

Um fator que atrapalha é quando o atirador possui muitas armas com mecanismos e sistemas de funcionamento diferentes. O atirador sempre age de maneira mais natural se usar sempre a mesma arma (ou, pelo menos, do mesmo tipo e sistema de funcionamento).
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Erick Tamberg » 22/12/2017 11:13

Erick Tamberg escreveu:Amílcar,

Pessoalmente, sou da corrente "fundamentalista" nesse caso. Na prática, pode até acontecer a olhada rápida para a arma, mas procuro treinar ao máximo para não faze-lo.

Parte dos meus alunos eram empregados de empresas de transporte de valores, onde tinham que aprender a revidar a um ataque a partir do interior de um veículo blindado. Infelizmente, aqui está cada vez mais comum o uso de fuzis Barrett em .50 Browning (e mesmo de metralhadoras nesse calibre!) pelas quadrilhas especializadas nesse tipo de crime...

Normalmente, o "modus operandi" dessas quadrilhas é paralisar o veículo com um tiro no motor, o que também provoca pane no sistema elétrico e ventilação do carro blindado.

Um fator que atrapalha é quando o atirador possui muitas armas com mecanismos e sistemas de funcionamento diferentes. O atirador sempre age de maneira mais natural se usar sempre a mesma arma (ou, pelo menos, do mesmo tipo e sistema de funcionamento).
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor AmilcarAlho » 02/01/2018 14:30

Erick Tamberg escreveu:Amílcar,

Pessoalmente, sou da corrente "fundamentalista" nesse caso. Na prática, pode até acontecer a olhada rápida para a arma, mas procuro treinar ao máximo para não faze-lo.

Parte dos meus alunos eram empregados de empresas de transporte de valores, onde tinham que aprender a revidar a um ataque a partir do interior de um veículo blindado. Infelizmente, aqui está cada vez mais comum o uso de fuzis Barrett em .50 Browning (e mesmo de metralhadoras nesse calibre!) pelas quadrilhas especializadas nesse tipo de crime...

Um fator que atrapalha é quando o atirador possui muitas armas com mecanismos e sistemas de funcionamento diferentes. O atirador sempre age de maneira mais natural se usar sempre a mesma arma (ou, pelo menos, do mesmo tipo e sistema de funcionamento).



Concordo em absoluto quando diz que se deve usar sempre a mesma arma para defesa ou, pelo menos, armas com o mesmo funcionamento.

Pessoalmente prefiro armas "striker fired" tais como as Glock pela simplicidade de utilização, mas acho que cada um deve escolher o sistema com que se sente mais confortável. Feliz 2018 para si, sua família e amigos.
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Erick Tamberg » 03/01/2018 08:42

Amílcar,

No meu caso, usei o padrão 1911 por muito tempo. Hoje, como voltei a usar Taurus, mantenho o hábito de portar a arma travada, pois já estou condicionado a isso.

Feliz 2018!
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Sergio-7 » 01/02/2018 13:57

Na verdade, nós temos muito mais que 5 sentidos mesmo. Essa ideia de 5 sentidos é bem antiga. Não sei se alguém fez uma classificação dos outros para chamar algum específico de 6° ou 7°. Mas além dos 5 sentidos externos, existem vários sentidos internos, como o ja citado sentido do equilíbrio, fome, sede, cansaço, também podem ser considerados sentidos.

Treinar a operação da arma sem a visão pode ser útil justamente para situações de baixa visibilidade.

Onde vc pode usar a visão, não vejo problema em usa-la desde que a situação permita. Normalmente não vai ser necessário mais do que 1 segundo para colocar o carregador numa pistola, visto que para ejetar o vazio não há necessidade de olhar mesmo.
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Re: Uso do "sétimo sentido" ao remuniciar

Mensagempor Erick Tamberg » 07/02/2018 12:30

Quanto a não precisar olhar para a arma na remoção do carregador, isso varia de acordo com o modelo de arma. Nas pistolas com retém tipo europeu (na parte inferior), se você não treinar o movimento de arrancar o carregador, ele fica sofrendo pressão do retém até ser totalmente removido.

Mesmo em armas como a Browning Hi-Power, se for mantida como original de fábrica, o carregador não cai com um simples toque no retém.
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